Viramos escravos da própria Liberdade?

22 Jan

A mulher lutou tanto para ter os mesmos direitos que os homens, foram anos de opressão baseados em normas de gênero, aonde mulher não podia isto, não podia aquilo. Mas anos de lutas, e que fizemos com a nossa liberdade?

Querer ter os mesmos direitos, não significa fazer o mesmo que os homens fazem. As mulheres queriam o direito de votar, conseguimos. O direito, de participar ativamente na sociedade e no trabalho. Conseguimos.

Mas voltando um pouco na história lá em 1968, em Atlantic City, EUA, quando as mulheres queimaram seus sutiãs, representando assim a “queima” da opressão feminina. e topless representaria esta liberdade? Será que este ato se perdeu ao longo do caminho???

Mulher livre é aquela que não depende de um companheiro para sobreviver, ela tem o trabalho como uma responsabilidade para manter sua independência tendo ou não um companheiro. E o sexo fazendo parte da sua própria escolha e responsabilidade. Ou você entende diferente?

Ultimamente, eu venho adotando uma postura mais reflexiva e analítica de minhas próprias atitudes e tudo que leio e ouço, mas sempre observando o meio. Como o post do dia 19 sob o Título O FRUTO DE UMA SOCIEDADE QUE NÃO PENSA, do Blog do Óbvio (do querido Manoel Fernandes – Um beijo bem grande Manô), aonde o texto nos alerta sobre a cultura da eliminação.

Eliminação esta mascarada em um programa de televisão, mas a verdadeira eliminação aqui abordada é a nossa capacidade de pensar. Eliminação da nossa liberdade ser sermos considerados seres capazes de pensar.

Eu não estou aqui dizendo que nós mulheres devamos, voltarmos a ser as rainhas dos lares, abandonar todas as conquistas já conquistadas. Mas eu tenho um sentimento que viramos escravos dentro da nossa própria liberdade. Todos dizem que temos o direito de sermos livres, mas a vida nos prova que não existe este direito.

A sociedade nos nega esta liberdade. Não quero ofender a nenhum homem nest Post (longe de mim), mas eu quero me fazer entender o porquê nós mulheres queremos tanto ser iguais aos homens. Se na verdade nós não somos.

Não, nós não somos. Esta é a grande verdade. E as diferenças vão muito além do aspecto anatômico. As diferenças são gritantes a personalidade feminina não é igual à personalidade masculina.

Mas porque será que queremos adotar um comportamento tão masculino em nossas vidas? O que queremos provar com isto?

Esta mesma mulher que luta por direitos iguais, é capaz de julgar a outra mulher com uma severidade que pode ser fatal. Isto pode ser bem ilustrado com exemplinhos bem conhecidos do mundo feminino:

“ Menina você sabia que fulana dá para todo mundo? / Você sabia que ela só casou com ele por dinheiro? / Você sabia que ela só conseguiu aquele cargo porque ela dá para o chefe? / Nossa que mulher vulgar, com este batom vermelho?”

Já ouviu alguma destas frases? Ou talvez já até falou? Mas seria muita hipocrisia minha dizer que não. Isto é da nossa natureza. Tenho me policiado muito para aprender a viver sem pré-julgamentos.

Ter os mesmos direitos que os homens não significa fazer o mesmo que eles fazem, sim, estou repetindo a frase, porque muitas vezes nós queremos ser como os homens como ato de protesto. Mas protestar o que? Protestar o fato de não podermos nos relacionar sexualmente no primeiro encontro, sem sermos taxadas como fácil ou protestar porque quando chagamos em casa temos que lavar, passar e cozinhar enquanto os homens sentam e esperam o jantar?

Sim, minha gente o mundo das mulheres é brutal. Posso citar outros vários exemplos aqui: Um especial que aconteceu comigo quando eu tinha 14 anos, leia-se 14 anos. Eu tinha duas amiguinhas dais quais faziam milhares planos para o futuro, morar juntas, trabalhar juntas e outros contos de fada… Quando de repente me aparece o João Ricardo, sim o menino de olhos mais azuis que havia conhecido até meus 14 anos (kkkk). E o infeliz resolve dizer que meus olhos azuis (que na verdade são castanhos) são os mais lindos que ele já viu. (ele nem olhou para mim…)

Resultado? Amizade acabada. E a partir daquele dia, eu virei à pessoa mais vagabunda do mundo. E o pior de tudo isto, é que nunca tive nada com o tal do João Ricardo. Nem aperto de mão. – Mas e se eu tivesse, porque eu deveria ter reprimido meus sentimentos, se eu não ao menos sabia que a outra pessoa havia se interessado por ele? –

Outro exemplo são as várias mulheres que em busca dos seus 15 minutos de fama e acabam caindo no ridículo. Ou as que assumem uma postura totalmente vulgar, só para chamar a atenção. Uma erotização exacerbada simplesmente em busca de “admiração, facilidades e outros …”, (como diria um amigo muito mais, muito amado – só mandando: Vai procurar um trabalho minha filha!)

Sim isso é a escravidão e por que não dizer a tentativa de genocídio de gênero. E verdade seja dita igualdade é uma farsa. As pessoas não são iguais, os gêneros não são iguais, os ricos e os pobres não são iguais, todos são diferentes e devem, ou melhor, deve ser tratado de forma diferente. Isso é o que chamamos de equivalência, tratar as pessoas como elas são.

Agora se só vier com a questão do contexto cultural diferente que cada país carrega, eu vou dizer sim isto ainda é muito relevante. E tema para muitos outros post do gênero…

E para terminar esta minha reflexão ou talvez grande &%$#@ que falei, eu  só lamento que a sociedade em pleno ano de 2014 ainda precise de rótulos para tudo e todos. Porque não podemos simplesmente ser tratados como seres humanos?

Crédito das Imagens: Bing Imagens

Crédito das Imagens: Bing Imagens

 

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12 Respostas to “Viramos escravos da própria Liberdade?”

  1. pammiksch 25 de Janeiro de 2014 às 11:53 #

    Lola, que texto maravilhoso!
    Eu sempre fico me questionando sobre essa questao do papel da mulher nos dias de hoje e você tocou exatamente na parte que eu sempre me incomodo.
    Será que sabemos usar essa liberdade mesmo?
    E quanto a rivalidade feminina, nossa esse papao renderia dias, horas e semanas.
    Isso não é regra, mas é muito complicado ter amizade 100 % sincera com mulheres, a nao ser que elas sejam muito bem-resolvidas e seguras de si.
    mas a Sociedade impõe essa competição entre nós, seja na mídia, no dia a dia, as tendências de moda, enfim, nao é fácil não!
    E toda essa cobrança vem por parte das próprias mulheres, isso que eu acho incrível!
    Todo o julgamento, as imposições, é sempre uma questão de uma querendo ser melhor que a outra, ou melhor que outro homem, mas no fundo sempre uma questao de que mulher TEM; que provar algo, quando na verdade só teríamos que ser nós mesmas e bastar por isso!
    Chega de rótulos, de divisões, todo é gente e todo mundo quer ser feliz!
    Um beijo bem grande, minha linda!

    * Vou dar uma olhada no blog do Manô ;D

    • Lola Maria 25 de Janeiro de 2014 às 14:57 #

      Pam,
      É impressionante como a mulher é critica e cruel contra seu próprio gênero. A sociedade praticamente “treina” as mulheres a terem uma raiva, inveja da outra. Uma bobeira só, a gosto para tudo e todos.
      O que meus Pais sempre falam, se a grama do vizinha está mais verde, que tal o invés de querer destruir você não vai lá, elogia e pergunta o que ele faz para cuidar da grama? O dialogo é melhor e maior que qualquer sentimento de inveja e raiva.
      E você colocou corretamente quando fala que todo quer ser feliz, porque na verdade é só isto que importa. Sermos felizes como somos e com o que podemos ter. Sem rótulos e sem preconceitos.
      (aqui preciso dizer que eu estou até agora pensando nas “guludisses” que você postou.. hum. “dilicia”)
      Beijokas

  2. Blog do Óbvio - Manoel 23 de Janeiro de 2014 às 17:59 #

    Lola, kkkkkkk! O Mariel é uma figura! Enfim…apesar da sua citação que me deixou muito feliz, não por vaidade, mas por utilidade, posso dizer que sua postagem está perfeita. Essa igualdade que se procura inexiste e se tudo for entendido conforme seu post, a vida fica muito mais fácil.
    Você é um amor de pessoa.
    Um beijo com carinho,
    Manô

    • Lola Maria 25 de Janeiro de 2014 às 14:49 #

      Manô,
      que bom que não ficou zangado por ter usado seu Post em meu Post, mas realmente foi necessário a abordagem. E melhor ainda tendo você aqui de volta. senti muito tua falta. E o Mariel é realmente o melhor não é!
      A vida seria tão mais simples se cada um respeitasse o quadrado alheio não é mesmo? As pessoas se esquecem que um dia voltamos pó do qual fomos feitos e tentam viver de forma ouso a dizer selvagem, cada um por si e DEUS por todos. Uma triste realidade.
      Um beijo bem estalado.

  3. marielfernandes 23 de Janeiro de 2014 às 3:47 #

    Primeiro, registro o meu ciúme oficial pela menção ao meu amigo Manuel (ele e suas reflexões sugestivas). Dito e superado isso, acho que há um ódio, uma raiva, algo de violento, nascido do masculino contra o feminino. Não vou entrar em exemplos, há milhares, em todas as molduras, de modos variados. A luta pelos direitos civis é uma parte, talvez a mais barulhenta, de uma caminhada especialmente dolorosa (para as mulheres) e triste para os homens. Como entendo, todo o avanço em prol do feminino é mínimo e insignificante quando se coloca em perspectiva a história da mulher. Mas enfim, tudo isso pode ser só ciúme mesmo.

    • Lola Maria 25 de Janeiro de 2014 às 14:44 #

      Mariel,
      Nada de ciúmes, você sabe que aqui você manda! Mas é verdade, existe uma “rivalidade” muito grande quando o assunto é gênero, as pessoas precisam aprender a respeitar o próximo independente da raça, gênero, escolhas sexuais, deficiências e outras formas possíveis de “pré” conceito, que não cabem mais em pleno 2014!.
      Beijo e abraço bem apertado pra ti.

  4. Paula Oliveira 23 de Janeiro de 2014 às 1:02 #

    Lola, eu também achei muito interessante e atual esse texto do Manô. Sua reflexão foi bem colocada. Estamos presos à nossa tão clamada liberdade, ou na perversão do sentido verdadeiro de ser livre e ter direitos iguais. Mas também sinto que a mulher ainda hoje se sente acorrentada aos padrões de “mulher descente não faz isso”, mas o homem faz e nem por isso ele é discriminado. Enfim, há muito ainda a ser conquistado.

    • Lola Maria 25 de Janeiro de 2014 às 15:22 #

      Paulinha,
      Ainda temos muito que conquistar sim. E o principal a ser conquistado são nossos verdadeiros valores. Quer coisa mais absurda e vergonhosa um reality show que premiará uma virgindade? aqui está o link http://www.quemvaificarcomcatarina.com.br/catarina.html
      É de assustar não é mesmo?
      Penso que iremos conquistar nossa tão sonhada igualdade quando nós mesmos soubermos o que realmente queremos.
      Ainda sonhando aqui com ganhar a loto e te dar um abraço bem apertado.
      beijos

  5. MariaLDário 23 de Janeiro de 2014 às 0:10 #

    Lola, a imensa maioria das mulheres ainda não têm amor-próprio, não têm autoestima. Este é o problema.

    • Lola Maria 25 de Janeiro de 2014 às 14:39 #

      Maria,
      Isto é a grande verdade a respeito deste tema: Amor Próprio e Auto Estima. Uma pena que muitas morrem sem nem ao menos saber o que isto significa.
      Você é sábia!
      Beijos e mais beijos

  6. zoovox 22 de Janeiro de 2014 às 18:24 #

    Pois é, escuta-se cada coisa depois que vc se muda, depois que vc casa cada comentariio tao estapafurdio que é de doer os ouvidos.
    Sério tem gente que tem uma mente tao fértil que serio algo vive e morre neses ideias sem nunca ter realmente existido.

    • Lola Maria 25 de Janeiro de 2014 às 14:37 #

      Fabi,
      Pois é isto é um absurdo, sermos julgadas por nossas escolhas que na verdade interessam apenas a nós mesmas. Mas o importante nisto tudo é que estejamos felizes. E quem deixa de viver para cuidar da vida alheia, só podemos dizer: Schade! Das ist aber schade!
      Beijo a ti Lindona! Sempre bom te-la por aqui. Hum e suas delicias, ai quando estiver boa podendo enfim cozinhar, já copiei várias de tuas receitinhas em meu caderninho…

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