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Série: A Caminho dos 40 #2

4 Fev

No post #1 da “série” A caminho dos 40, eu falei sobre me livrar do peso morto que carrego nas costas. E eu gostaria de explicar que isto não se refere a ninguém, e sim ao meu próprio passado.

Eu sou uma pessoa muito apegada ao passado, pois é este passado que me dá sentido de “identidade” que comentei no post citado.  E gente, quando nós nos apegamos a nosso passado, nós estamos garantindo que o futuro carregue a mesma “essência”. Percebe aonde eu quero chegar?

Olha, quando carregamos esta mesma “essência”  a vida se move em círculos sem nada de novo ou criativo. A vida nos traz um reflexo do que pensamos ser.

Uma coisa é lembrarmos as coisas boas que vivemos. Refletirmos sobre os obstáculos que vencemos ultrapassamos e ter saudade das pessoas, dos lugares que ficaram para trás. Não estou aqui dizendo que temos que nos livrar do passado, de forma alguma, estou apenas dizendo que passado é algo morto, é igual museu de antiguidade sabe, você vai lá para rever as coisas mas deixa tudo lá, não leva nada para casa.

O que eu estou querendo dizer aqui é não podemos permitir que nosso passado nos impeça a caminhada presente a caminho de nosso futuro. Gosto muito da frase do ex-presidente estadunidense Thomas Jefferson: “Gosto mais dos sonhos do futuro do que das histórias do passado”.

Anos atrás eu vivi uma desilusão amorosa muito grande, foi um fato que hoje 17 anos depois, eu preciso de vez erradicar da minha vida. Eu vivi a auto-sabotagem (se escreve junto ou separado?) para os meus relacionamentos futuros, eu buscava um padrão de pessoa que eu só encontraria no “dono” da desilusão, mas não. Eu não me dei por satisfeita com todo o sofrimento que tive, e busquei mais sofrimento.

Comecei a descontar a minha insatisfação, na comida, na minha vaidade e até mesmo nos meus planos do futuro. E tudo por quê? Porque muito de nós tem a terrível mania tentar de novo algo que na primeira tentativa não foi bem sucedido. Eu fui, sou uma destas pessoas.

Sabe o que minha mãe sempre fala, aliás, meu Pai falava muito isto também. Que o pior problema da raiva é quando voltamos (a raiva) contra nós mesmos, porque ela  pode se manifesta de maneiras infinitas e muitas vezes mascarada através da inércia, depressão, ansiedade, apatia, modorra, descrença e em muitas outras formas. E isto é uma forma de auto-sabotagem.

Aqui, exemplos típicos de auto-sabotagem, e acredito que muitos de nós já dissemos uma, duas ou talvez todas destas frases abaixo:

  • “Nunca serei capaz de ter aquilo que gostaria”
  • “A minha vida nunca vai sair deste buraco”
  • “Eu nunca mais encontrarei a pessoa certa para mim.”
  • “Eu nunca mais serei feliz”
  •  “Nunca serei capaz de fazer isto”
  •  “Eu não consigo…”
  • “Eu nunca…”
  • “Eu não…”

Estou errada? Você nunca usou alguma destas frases? Se não usou, porfa me ensina a viver porque parece que eu ainda não aprendi.

Eu estou disposta a me esvaziar, me libertar do passado. A me reprogramar. Desapegar daquilo que me fez encruar na vida. Sempre andando em círculos. Sem querer entrar em questão religiosa, mas é uma citação de um livro fantástico (da época que eu conseguia ler um livro em inglês) que chama-se What Doth It Profit (De que Adianta) de Sterling W. Sill, ele fala assim:

“O perdão de Deus é muitas vezes anulado porque o pecador não perdoa a si mesmo. O que adianta Deus não se lembrar mais de nosso erro, se continuamos a reprisá-lo em nossa mente?”

Lembre-se nosso único inimigo somos nós mesmos, afinal só você saber o que é melhor para você. Não se preocupe com os outros. Ocupe-se de você. Mantenha seu foco, lembre-se que eu, você chegaremos ao lugar que escolhermos seguir.

Eis alguns pontos importantes para começar as mudanças:

  1. Disciplina não deve ser ato e sim hábito – (daquilo que habitualmente pensamos e fazemos)
  2. Policie os pensamentos de derrota porque eles reduzem a autoestima;
  3. Perdoar, não significa necessariamente a outra pessoa. Muitas vezes devemos nos perdoar. Perdoar a si mesmo pode ser muito mais urgente que perdoar ao próximo e 
  4. (não menos importante) Estabeleça prioridades; Elimine coisas sem importância; Reconheça suas limitações. (eu quero voltar a falar de cada um destes 3 últimos itens).

E para tudo o que disse aqui, apenas uma única conclusão: Só quando amamos a nós mesmos da forma correta, estamos mais qualificados para servir nossos semelhantes e conseguir aceitar melhor acerca de nós mesmos.

O Grito (no original Skrik)  Edvard Munch fonte: Wikipédia

O Grito (no original Skrik) Edvard Munch
fonte: Wikipédia

* O Grito é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch, a mais célebre das quais datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial.

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